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    Sorriso 207



    “A vida é tudo aquilo que acontece enquanto você está fazendo planos...” A frase veio inteira na minha cabeça enquanto eu preenchia aquela ficha.
    Aquela moça, naquele hotel, naquela cidade me deu aquela mesma ficha de sempre.
    E aquele mesmo suplício de ter que escrever a mão, coisa que só uso pra isso, depois de horas de voo.
    - Precisa?
    E ela libera o preenchimento de alguns campos. Dos muitos. Que o sono, o cansaço, a vontade da cama só ampliam.
    Tenho que confessar que de um tempo para cá eu tenho escrito qualquer coisa. Outro dia no Pará meti no meu sobrenome um Dumond. Virei, por conta da outra parte, pai da aviação.
    Profissão? Tasquei: piloto.
    Notei que ninguém confere e gasto um pouco da minha vida numa ficha pra nada. Mais uma.
    Já fui agiota em outro hotel. Em outro ortopedista. Craque de futebol.
    - Senhor... É especialista em tunelamento quântico mesmo?
    Não esperava que ali em Minas Gerais alguém fosse ler minha ficha. O cara leu. Fiz uma cara de paisagem e respondi apenas: sim. E fiz uma expressão de ofendido que não abriu espaço para debates.
    O complicado quando chego em casa e a sensação de preencher fichas não passa.
    E de lá pra cá, de ca pra lá, e ninguém ao menos sabe onde está.
    O tempo que se perde? E o tempo que não se acha? E com esse tempo eu ia fazer o que?
    Minha letra é um garrancho. Tantos anos de escola. Juro que fiz até caligrafia, naqueles caderninhos com pautas especiais. Pra que? Se hoje minha vida, como agora, é um teclado?
    Tanta matemática para eu fazer conta com “se fosse”. Que vergonha.
    Tanta química, física, biologia para hoje ter o google. Dúvida, busca, clique e todas as certezas do mundo. Formado numa sapiência soberana em segundos.
    Ainda bem que teve o Drummond, o Braga e o meu velho amigo Sabino que me fizeram ganhar tanto tempo me contando histórias e me ensinando a escrever. Os livros, os contistas, sempre eles.
    - Não posso apenas assinar?
    A moça sorriu sem olhar pra mim. Um sorriso de não.
    Na minha cabeça adaptei mentalmente o poema do John Lennon.
    “A vida é tudo aquilo que acontece enquanto você está preenchendo fichas...”

    1 sorriram também:

    1. Uma dessas fichas já preencheste como quem prepara um embrulho de presente-surpresa... Aqui fica uma saudade apenas, talvez de dizer-te no olhar aquilo que já não posso em palavras, ou já nem sei... Já não somos. Mas ficou, agora naquele tempo e espaço.

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